Oi gente!!
O que vou compartilhar com vocês hoje, não é apenas um pensamento ou uma opinião.
Na verdade eu escrevi esse texto a muitos anos atrás. Em 1973 mais precisamente!
Fala de um momento muito doloroso que eu vivi e que faz parte da minha história..
" E difícil de acreditar no que estava acontecendo...Estaria mesmo acontecendo?
Estaria eu ouvindo coisas? Não. Decididamente não, uma vez que também estava vendo coisas...
Tento em meio a névoa do que estava acontecendo, relembrar onde eu estava, o que estava fazendo... Lembro que antes de ir dormir, visitei o quarto do meu bebe e fiquei por algum tempo absorta em minhas recordações...
Eu tinha a sensação de estar acordada, mas...eu quase podia jurar que havia ido dormir!
E no entanto diante dos meus olhos podia ver o velho carrinho de bebe (que conservei apesar de tudo) chorando...
Eu tinha a sensação de estar acordada, mas...eu quase podia jurar que havia ido dormir!
E no entanto diante dos meus olhos podia ver o velho carrinho de bebe (que conservei apesar de tudo) chorando...
Mas isto não é possível! Não posso crer; carrinhos de bebe não choram!
- E porque não?
Só porque sou um carrinho não tenho alma, sentimentos ou direito de ficar triste?
Só porque sou um carrinho não tenho alma, sentimentos ou direito de ficar triste?
Pois fique sabendo que a dois anos estou assim!
Antes eu era feliz aliás, nós éramos uma família feliz!
Antes eu era feliz aliás, nós éramos uma família feliz!
Eu tinha o Andrezinho para embalar, carregar e e saíamos a passear os quatro juntos, lembra?
Você, eu, o Andrezinho e o Robinho ( que gostava de me conduzir) quando íamos ao parque, a pracinha ou apenas dar uma volta no quarteirão; Ora andando devagar ou parando para ajeitar minha capota evitando assim que o sol molestasse o sono do nosso bebe...
E assim vivemos por alguns bons anos, até que o Dedé cresceu e não precisou mais de mim, e você me guardou. Foi um tempo de solidão e fiquei quieto e empoeirado, sem saber o que me aguardava...
E assim vivemos por alguns bons anos, até que o Dedé cresceu e não precisou mais de mim, e você me guardou. Foi um tempo de solidão e fiquei quieto e empoeirado, sem saber o que me aguardava...
Alguns anos depois, a porta se abriu e você veio em minha direção com um sorriso, me pegou com carinho, limpou-me minuciosamente, e com cuidado me levou para um novo quarto!
E pelo seu jeito alegre pude sentir que haveria um novo bebe para alegrar a casa e fiquei novamente feliz!
Havia no quarto, um bercinho, uma poltrona, um pequeno guarda-roupas e uma estante; tudo organizado com todo capricho! E eu é claro, que com a capota limpa, perfumada e os metais brilhando, passei a esperar o grande dia!
O tempo passou e um dia, alguém entrou no quarto rapidamente, e pela pequena bolsa que foi arrumada com roupinhas e fraldas, deduzi que você estava indo para o hospital e que em breve entraria com o nosso novo bebe nos braços!
E pelo seu jeito alegre pude sentir que haveria um novo bebe para alegrar a casa e fiquei novamente feliz!
Havia no quarto, um bercinho, uma poltrona, um pequeno guarda-roupas e uma estante; tudo organizado com todo capricho! E eu é claro, que com a capota limpa, perfumada e os metais brilhando, passei a esperar o grande dia!
O tempo passou e um dia, alguém entrou no quarto rapidamente, e pela pequena bolsa que foi arrumada com roupinhas e fraldas, deduzi que você estava indo para o hospital e que em breve entraria com o nosso novo bebe nos braços!
Os dias se arrastaram lentamente e eu quieto aguardava sem entender...
Mas em um dia chuvoso, a porta se abriu novamente e você entrou.
Caminhou lentamente segurando o ventre e com lágrimas correndo pelo rosto, parou em frente ao armário enfeitado com bichinhos pintados nas portas...
Caminhou lentamente segurando o ventre e com lágrimas correndo pelo rosto, parou em frente ao armário enfeitado com bichinhos pintados nas portas...
Abriu uma delas e ficou parada observando as pequenas e perfumadas peças de roupas que estavam penduradas em ordem... Depois veio em minha direção, pousou a mão em meu couro macio e chorou
desconsoladamente, e aquele pranto me disse sem palavras o que eu já adivinhara:
Não haveria outro bebe!!
Um silencio pesado tomou conta da casa.
Um silencio pesado tomou conta da casa.
E assim começou aquele ritual:
Você vinha todos os dias, olhava tudo com carinho, com um misto de dor e desespero, sentava na poltrona e chorava por horas perguntando:
Você vinha todos os dias, olhava tudo com carinho, com um misto de dor e desespero, sentava na poltrona e chorava por horas perguntando:
- Por Que??
Essa era também minha pergunta! Mas você nunca se deteve para me escutar, mergulhada que estava em sua própria dor...
E assim foi por longos meses até que a porta do quarto foi trancada por um período que me pareceu anos e ninguém mais entrou, até hoje.
Não se lembra? Você entrou novamente aqui e começou a embrulhar e guardar tudo e todas as coisas, inclusive eu!!
E assim foi por longos meses até que a porta do quarto foi trancada por um período que me pareceu anos e ninguém mais entrou, até hoje.
Não se lembra? Você entrou novamente aqui e começou a embrulhar e guardar tudo e todas as coisas, inclusive eu!!
E é por isso que estou chorando!
De tristeza, solidão e pela incerteza do que me reserva o futuro de Carrinho de Bebe, em uma casa onde não vão mais existir Bebes!
De tristeza, solidão e pela incerteza do que me reserva o futuro de Carrinho de Bebe, em uma casa onde não vão mais existir Bebes!
- O que dizer de tudo isso?
Não sei! Nada faço, continuo sonhando...Ou quem sabe, dormindo..."
Não sei! Nada faço, continuo sonhando...Ou quem sabe, dormindo..."
- Alessandro... Esse é o nome!
Acho que ninguém mais se lembra de sua passagem nesta Terra, filho. Só a mãe que te carregou no ventre e sonhou sonhos para sua vida... nunca vai te esquecer, nem que viva cem anos!
E só quem passou pela dor da perda de um filho; de um bebe que nasceu e morreu com apenas cinco dias de vida, pode entender a dor da alma atormentada de uma mãe naquele período!
Acho que ninguém mais se lembra de sua passagem nesta Terra, filho. Só a mãe que te carregou no ventre e sonhou sonhos para sua vida... nunca vai te esquecer, nem que viva cem anos!
E só quem passou pela dor da perda de um filho; de um bebe que nasceu e morreu com apenas cinco dias de vida, pode entender a dor da alma atormentada de uma mãe naquele período!
Sabe, hoje lembro com e paz e serenidade de todas estas coisa...(não que não me pergunte como ele seria hoje)...
Mas o tempo cura tudo não é mesmo? E por ele fui curada daquela dor lancinante, daquele período de escuridão.
Mas ele deixou uma marca de sua breve passagem nesse mundo no meu coração. E apesar de tudo, hoje sei que ele está muito melhor na Casa do Pai!
Este também foi um tempo de aprendizado...doloroso...
Mas como ouvi sempre dizer:
O que que não te mata, te fortalece!
Acho que isso aconteceu comigo também.
Fico por aqui,
Um abraço!
Mas o tempo cura tudo não é mesmo? E por ele fui curada daquela dor lancinante, daquele período de escuridão.
Mas ele deixou uma marca de sua breve passagem nesse mundo no meu coração. E apesar de tudo, hoje sei que ele está muito melhor na Casa do Pai!
Este também foi um tempo de aprendizado...doloroso...
Mas como ouvi sempre dizer:
O que que não te mata, te fortalece!
Acho que isso aconteceu comigo também.
Fico por aqui,
Um abraço!
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