Todas as pessoas de alguma forma já se sentiram rejeitadas ou já sofreram rejeição: na infância, na escola, na adolescência, por parte de um colega, amiga e até mesmo por parte de alguém da família. Real, ou imaginária, a rejeição deixa marca psicológicas profundas na alma de muitos. A rejeição, “amputa” nossa auto-estima criando áreas de insegurança que nos acompanharão pelo resto de nossas vidas em todas as áreas de relacionamento interpessoal. Dependendo do tipo de rejeição sofrida, como o caso da infidelidade do cônjuge, a ferida, a traição é algo tão profundo que nos perguntamos se vamos encontrar alguém em quem confiemos, a quem possamos amar ou que nos ame. E é sobre esse tipo de rejeição que vamos falar hoje.
No caso de infidelidade do nosso cônjuge então, a ferida é algo tão devastadora quanto irreal, pois não conseguimos elaborar um motivo para a traição. O trauma é tão grande que necessitamos de uma razão para que possamos racionalizar, ou explicar o porquê do acontecido. Mas nada parece fazer sentido, uma vez que em nossa mente só conseguimos lembrar os bons momentos daquela vida a dois. Então, por quê? E no desespero por achar respostas, acabamos culpando a nós mesmos... Certamente foi algo que fizemos – ou que deixamos de fazer – que desencadeou tudo, pensamos nós. A nossa auto-estima cai a níveis alarmantes porém não nos damos conta. As pessoas em volta, também têm sua parcela de culpa, acreditamos. A revolta começa a tomar conta do nosso coração, especialmente quando vemos um casal passeando, fazendo compras...
Começamos então um processo de auto-reclusão, pondo distância entre nós e as outras pessoas enxergando a todos com desconfiança. Pode ser uma atitude inconsciente mas evitamos manter relações próximas com outras pessoas, especialmente casais amigos, porque acreditamos que não se pode confiar em ninguém. E no íntimo nos perguntamos: Será que alguém sabia? Quem está sabendo? Porque ninguém ajudou? A rejeição e a perda nos fazem duvidar que alguém nos ame porque nos sentimos desesperadamente sozinhos, feridos e humilhados. E em última instância acabamos culpando a Deus. Afinal se Ele é tão poderoso, como permitiu tamanho sofrimento!
Em princípio a auto-depreciação, o desprezo por nós mesmos, aos demais e a Deus, parece dar resultado, pois nos parece poder manter uma fachada de que temos tudo sob controle .E tentamos seguir adiante com a vida, arrumando o que podemos e mantendo todo o mundo à distância, incluindo Deus (mesmo que sejamos religiosos). E esta tendência de controlar nosso mundo é tão forte que preferiríamos nos odiar (auto desprezo) a enfrentar o fato de que não temos o controle sobre nada: nem sobre nossa vida, nem sobre o comportamento das pessoas e tampouco sobre nosso próprio comportamento, e que nada que possamos fazer, pode evitar que alguém nos fira. Sejam: maridos, esposas, pais, irmãos ou filhos. Essa é uma verdade incontestável.
Manter aos demais afastados é como um sedativo que encontramos, pois não queremos falar sobre isso, nem sequer pensar no assunto. E mesmo que todos os acontecimentos estejam continuadamente girando em nossos pensamentos, nos esforçamos para evitar nossos sentimentos de tristeza profunda, porque temos medo que a dor seja tanta, que nunca encontraremos consolo. Afinal um punhal foi cravado em nosso coração e dói terrivelmente. Para uma pessoa ferida isto pode parecer bom no momento; mas se alimentarmos esses sentimentos de fuga, sem encarar o fato de frente, adotando uma atitude solitária, e de negação, chegaremos rapidamente à amargura, doenças psicossomáticas e à depressão.
A cura só começa quando enfrentamos nosso labirinto de emoções, dor, medo, tristeza e a desilusão pela perda de nossas esperanças e sonhos.
Deixar que as pessoas se cheguem, implica em reaprender a confiar novamente. E isso pode nos deixar com medo e angustiados. E não queremos sentir angústia, pois isso nos parece sadismo. Mas este mesmo medo de nos arriscarmos a aprender a confiar novamente, quando enfrentado, pode com certeza nos levar pelo caminho da cura, da restauração de nossa fé, e esperanças para abrir nosso coração.
Porém essa não é uma batalhar para lutarmos sozinhos. Precisamos compartilhar com cristãos maduros que possam nos recordar que Deus nos ama. É importante ter amigos maduros na Fé que nos ouçam, dêem liberdade de chorar, compreendam nosso luto pela perda, nos apóiem quando enfrentamos as dúvidas, mas ao mesmo tempo nos confrontem e nos desafiem a encher nossas mentes com a Palavra de Deus, pois ela nos fortalecerá.
Não devemos somente orar ou ler a bíblia, mas pôr em prática suas verdades para que nossa fé cresça. A rejeição tende a matar uma vida de alegria, e amor. Mas podemos responder à rejeição de uma forma saudável sofrendo a dor da perda de maneira autêntica mas exercitando a fé e clamando a Deus. Isso vai fortalecer nosso caráter, aprofundar nossa fé e permitir que Deus nos mude e que sare nossos corações. Não temos alternativas: É preciso crer: Deus está fazendo algo de bom em nossas vidas, mesmo em meio a uma dor tão grande que tenha partido nosso coração. Devemos agir pela Fé, (que segundo apóstolo Paulo é a certeza de coisas que não se vêm); devemos nos jogar nos braços do Pai em total dependência e clamarmos a Ele. E Ele será a rocha que vai nos salvar das ondas profundas da dor.(Sl34:18). O consolo de Deus nos dá esperança de um futuro em que poderemos amar outra vez. A bíblia diz que Deus nos enche de esperança.(Rm 15:13).
É uma questão de escolha. Podemos continuar adoecendo no labirinto de nossas emoções e dores, ou podemos percorrer o caminho da cura através da fé, com atitudes saudáveis, que certamente no tempo de Deus, acontecerá. Sim. Depois que Ele nos ensinar tudo que precisamos saber para nos tornar instrumentos de honra em Suas mãos, pois diz a Palavra: “Eu sei que planos tenho a vosso respeito. Planos de Paz e não de Mal para vos dar o fim que desejais”. A vitória com certeza virá. O Senhor também diz: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” Essa noite pode ser longa se tentarmos gerenciar nosso sofrimento rejeitando os ensinamentos de Deus. Ou poderemos abreviá-la mediante a escolha de atitudes sadias, mesmo que difíceis no inicio, mas que certamente se tornarão mais fáceis à medida que as praticarmos. Salomão registrou: “O caminho do que ama a Deus é como a luz da aurora, vai brilhando mais e mais até o dia se tornar perfeito.”
Que o Senhor faça resplandecer o Seu rosto sobre ti e te dê a Paz!
Até a próxima!
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